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partidA Feminista

Por Márcia Tiburi

O movimento feminista denominado “partidA” surgiu em 2015, quando ativistas reuniram-se para discutir o sentido e a possibilidade de um partido feminista brasileiro. A primeira reunião se deu no Rio de Janeiro, em 25 de maio daquele ano. Em seguida, grupos de São Paulo e Porto Alegre aderiram ao movimento e, desde então, coletivos de mulheres de diversas capitais e de algumas cidades do interior de norte a sul do país tem se organizado em torno da ideia da partidA. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Pará, Goiás, Tocantins, além do Distrito Federal, são alguns dos lugares onde grupos se formaram ou estão em formação.

"Politizado, o feminino se torna 'feminismo'."

O termo partidA revela sua própria questão. Remetendo ao feminino de partido, o movimento quer provocar uma reflexão sobre o que poderia ser um partido feminista no contexto da representação precária das mulheres na política nacional. Em vez de um P maiúsculo no começo da palavra, um A maiúsculo ao final é a grafia de uma provocação reflexivo-política. Por um lado, a intenção é marcar seu caráter feminino, por outro lado, pretende-se definir uma inversão, um ponto de quebra, a marca de uma outra relevância política. Politizado, o feminino se torna “feminismo”. A partidA seria um partido feminista orientado pela politização, sobretudo, das mulheres como sujeito do feminismo, enquanto elas se tornam conscientes do atravessamento de gênero – e dos operadores de raça, classe, sexualidade, plasticidade ou idade – na cultura, nos corpos, na vida.

A partidA é um convite à uma viagem política em que a novidade é o modo de fazer política a partir da construção de uma democracia feminista radical. Essa é a utopia que nos move, que nos provoca ao diálogo com as outras, que nos leva ao encontro sempre aberto e criativo com as companheiras de luta e todas aquelas que possam unir-se à busca da politização crítica e construtiva das mulheres. Empoderamento e protagonismo feminista estão em cena nessa co-produção de mais espaço e tempo de solidariedade entre companheiras.

"A partidA é um convite à uma viagem política em que a novidade é o modo de fazer política a partir da construção de uma democracia feminista radical."

Não é um trabalho de fácil construção, pois as sedimentações patriarcais são duras e as condições de raça, classe, gênero, plasticidade e sexualidade afetam de todas as maneiras o nosso modo de pensar e agir. O feminismo, nesse contexto, é o devir que nos cabe. Que esse blog possa ser mais um espaço para pensar o feminismo e a vida, eis o que esperamos a cada publicação nascida do nosso desejo de ampliar o espaço do feminismo e melhorar o olhar sobre as desigualdades implicadas na ideologia patriarcal, racista e capitalista que não nos traz felicidade alguma.

#partidA como alegria política, alegria do encontro, alegria do debate, alegria da transformação: como diálogo para além de toda a violência conhecida.

*Márcia Tiburi - escritora, artista plástica, filósofa, uma das fundadoras da PartidA

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